Os últimos tempos em Bagdade – parte 2


Ridván significa Paraíso. Este jardim de Ridván (perto de Akká) foi alugado e preparado por 'Abdu'l-Bahá, em 1875, para o uso do Seu pai. Este jardim tornou-se um dos retiros favoritos de Bahá'u'lláh, após décadas de exílios e prisão.

Nas proximidades de Bagdade havia um lindo jardim de rosas, a flor preferida de Bahá’u’lláh. Na manhã de 22 de Abril de 1863, Ele deixou a cidade e dirigiu-se para esse jardim. Os crentes e, na verdade, também um grande número de residentes de Bagdade, ficaram desolados. A comunidade Babí, agora totalmente revivificada pelo carinho das atenções de Bahá’u’lláh, entrava em nova crise. Qual seria o futuro dessa Fé nascente, cuja única Esperança estava a ser exilada para um lugar bem longe da maioria dos seus adeptos? A resposta que esperavam aqueles Babís entristecidos, que se reuniam em torno de Bahá’u’lláh para a despedida, seria estupenda. Bahá’u’lláh iria arrancar os véus que escondiam a Sua verdadeira Posição dos olhos dos homens, e abertamente declarar ser Ele o Prometido de todas as eras. Bahá’u’lláh permaneceu no jardim, conhecido hoje como o Jardim de Ridván, durante doze dias, antes de partir para Constantinopla. Os Seus inimigos pensavam ter dado um golpe fatal à Sua Causa, separando-O da maioria dos discípulos. Deus, porém, transformou aquela despedida numa ocasião de imensa alegria. A declaração da Sua Missão criou nova vida nas almas dos Seus companheiros. Este era o Dia dos Dias, para o qual o Báb os tinha preparado. O próprio Bahá’u’lláh afirmou que naquele dia: ... “todas as coisas criadas foram imersas no mar da purificação…”

O texto a seguir, do historiador Nabíl, dá-nos um vislumbre da glória daqueles dias: “Todos os dias, antes do alvorecer, os jardineiros colhiam as rosas, que se alinhavam ao longo das quatro avenidas do jardim, e depositavam-nas no centro do pavimento da Sua abençoada tenda. Tão grande era a pilha formada que, quando os Seus companheiros se vinham reunir com Ele para tomar o chá da manhã, era-lhes impossível verem-se entre si, se estivessem em lados opostos desse grande “ramo”. Todas essas rosas Bahá’u’lláh dava, com as Suas próprias mãos, àqueles que cada manhã Ele dispensava da Sua presença, para serem entregues, em Seu nome, aos Seus amigos árabes e persas na cidade... Certa noite, a nona noite do quarto crescente da lua, calhou ser eu um dos que, do lado de fora, vigiava a Sua abençoada tenda. Ao aproximar-se a meia-noite, vi-O deixar a Sua tenda, passar pelos lugares onde dormiam alguns dos Seus companheiros, e começar a passear, à luz da lua, indo e voltando, pelas avenidas orladas de flores. Tão intenso era o cantar dos rouxinóis nos quatro cantos do jardim, que somente quem estivesse junto d’Ele poderia ouvir a Sua voz. Continuou a caminhar até que, parando no meio de uma dessas avenidas, fez a seguinte observação: “Considerai estes rouxinóis! Tão grande é o seu amor por estas rosas que, despertos, desde o anoitecer até à alvorada, gorjeiam as suas melodias e comungam, ardentemente apaixonados, com o objeto da sua adoração. Como podem, pois, aqueles que pretendem inflamar-se com a rósea beleza do Bem-Amado, preferir o sono?’ Durante três noites sucessivas vigiei e girei em torno da Sua abençoada tenda. Cada vez que me acercava do Seu leito, encontrava-O desperto e, todo o dia, desde a manhã até ao cair da noite, eu O via, empenhado na incessante conversação que mantinha com a torrente de visitantes, que continuava a afluir de Bagdade. Nem uma só vez vislumbrei nas Suas palavras o menor indício de dissimulação.”

Fonte: Livro 4, Instituto Ruhi


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