A Masmorra Negra


As terríveis condições sob as quais Bahá’u’lláh e os Seus companheiros estiveram prisioneiros no Siyáh-Chál (Masmorra Negra) foram descritas pelo próprio Mensageiro de Deus. É muito importante, por isso, que reflitamos sobre as Suas próprias Palavras em relação aos dias que passou naquele escuro calaboiço. Numa das passagens, Bahá’u’lláh diz:

“Após a Nossa chegada, fomos primeiro conduzidos ao longo de um corredor negro como breu, do qual descemos três íngremes lances de escadas até ao local de confinamento, que Nos foi designado. O calaboiço estava envolto em densas trevas e os Nossos companheiros de prisão eram cerca de cento e cinquenta: ladrões, assassinos e salteadores. Embora apinhado, não havia outra abertura senão a passagem pela qual entrámos. Pena alguma pode descrever aquele local, língua alguma pode descrever o seu cheiro terrível. Aqueles homens, na sua maioria, não tinham roupas nem lençóis sobre os quais se deitarem. Somente Deus sabe o que Nos aconteceu naquele lugar

sumamente fétido e lúgubre!”

Nabíl, o imortal historiador da Fé Bahá’í, relembra as palavras que ele mesmo ouviu a Bahá’u’lláh:

“Todos os que foram abatidos pela tempestade enfurecida, naquele ano memorável, em Teerão, vieram a ser os Nossos companheiros de prisão no Síyáh-Chál, onde estávamos confinados. Todos Nós estávamos amontoados numa única cela; os pés num tronco, e à volta dos nossos pescoços, amarrada a corrente mais mortificante. O ar que respirávamos estava impregnado das mais fétidas impurezas, enquanto o chão em que estávamos sentados estava coberto de imundície e infestado de vermes. Não era permitido que um raio de luz penetrasse naquela pestilenta masmorra ou que lhe aquecesse o frio gélido. Fomos colocados em duas fileiras, uma em frente da outra. Nós tínhamos-lhes ensinado a repetir certos versículos que, todas as noites, eles entoavam com extremo fervor. “Deus é-me suficiente; Ele, em verdade, é o Todo-Suficiente”, entoava uma das fileiras, enquanto a outra respondia: “Que n'Ele confiem os confiantes.” O coro dessas vozes jubilosas continuava a ressoar até às primeiras horas da manhã. . ."

“Dia após dia, os Nossos carcereiros, ao entrarem na Nossa cela, chamavam pelo nome de um dos Nossos companheiros, mandando-o levantar-se e segui-los até junto do cadafalso. Com que fervor aquele a quem pertencia esse nome respondia à solene chamada! Livre das suas correntes, alegremente se punha de pé e, em estado de irrepreensível deleite, aproximava-se de Nós e abraçava-Nos. Procurávamos confortá-lo, assegurando-lhe uma vida eterna no mundo do além e, inundando-lhe o coração de esperança e júbilo, mandávamo-lo partir para ganhar a coroa da glória. Ele, por sua vez, abraçava os restantes companheiros de prisão, um de cada vez e, então, saía para morrer, tão destemidamente como vivera. Logo após o martírio de cada um desses companheiros, o algoz, que se tinha tornado amigável para Connosco, informava-Nos das circunstâncias da morte da sua vítima e da alegria com que suportara os sofrimentos mesmo até ao fim.”

Fonte: Livro 4, Instituto Ruhi.


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