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Espetáculo de marionetas


Numa Epístola, o próprio Bahá’u’lláh conta uma história da Sua infância, numa ocasião em que participava na celebração do casamento de um dos Seus irmãos, em Teerão. Como era costume em Teerão naquela época, foi realizada uma grande festa, durante sete dias e sete noites. No último dia, foi apresentado um espetáculo de marionetes sobre um famoso Rei, para entretenimento dos convidados. Bahá’u’lláh sentou-Se numa sala na parte superior da casa, que dava para um jardim onde uma tenda tinha sido colocada para a apresentação do espetáculo.

Bahá'u'lláh diz-nos que o espectáculo se iniciou com a entrada de pequenas figuras com forma humana, anunciando que o Rei se aproximava. Várias outras figuras apareceram então no pequeno palco. Algumas varriam o chão, enquanto outras lançavam gotas de água preparando a chegada do Rei. De seguida, um arauto, em nome da cidade, entrou em cena e pediu a todos para que se preparassem para uma audiência com o Rei. Vários grupos de figuras apareceram e ocuparam os seus lugares. Finalmente, o Rei entrou em cena, com grande pompa. Usando uma coroa sobre a cabeça, caminhou vagarosa e majestosamente, e sentou-se num trono. Ouviram-se salvas de canhão, soaram trombetas e a tenda encheu-se de fumo.

Quando o fumo desapareceu, o Rei, ainda sentado no trono, foi visto rodeado por ministros, príncipes e funcionários do governo, todos de pé, atentos à sua presença. Naquele altura, trouxeram um ladrão perante o Rei, que ordenou que o acusado fosse decapitado. Sem demora, o carrasco cumpriu a ordem recebida. Depois da execução, o Rei começou a conversar com os seus ministros e funcionários. Subitamente, chegaram notícias de uma rebelião que ocorrera numa das fronteiras. Imediatamente foram enviadas tropas para a região, para abafar a revolta. Após alguns minutos, o som de um canhão foi ouvido, anunciando que as tropas do Rei estavam a lutar numa batalha contra os rebeldes.

E assim continuou a peça. Bahá’u’lláh ficou muito intrigado com a natureza do espetáculo. Depois do fim e do cair do pano, viu um homem surgir por detrás da tenda, levando uma caixa debaixo do braço. “O que está nessa caixa?” perguntou-lhe Bahá’u’lláh, “e qual a natureza deste espetáculo?” Respondeu-Lhe o homem: “Tudo isto são ornamentos ricos, o Rei, os príncipes, os ministros, a sua pompa e glória, a sua grandeza e poder, tudo o que foi mostrado está agora guardado dentro desta caixa.” Esta frase impressionou muito Bahá’u’lláh, que afirmou:

“. . . desde então, a partir daquele dia, todos os ornamentos do mundo pareciam, aos olhos deste Jovem, iguais aos deste espetáculo. Nunca tiveram, nem jamais terão, nem mesmo o peso de uma semente de mostarda. Doravante, esses ornamentos externos, esses tesouros amontoados, essas vaidades humanas, esses batalhões formados, essa rica aparência, essas almas orgulhosas e vãs – tudo acabará nos confins de uma sepultura, como dentro de uma caixa como esta. Aos olhos daqueles que possuem visão interna, todos esses conflitos, dissensão e vanglória são, e continuarão a ser, como uma brincadeira de crianças.”

Fonte: Livro 4, Instituto Ruhi