Na viagem para Constantinopla em 1863


Quando a caravana de Bahá'u'lláh estava a passar por uma aldeia no sopé do monte Márdín, um comerciante de mulas, árabe de Damasco, aproximou-se. A Abençoada Beleza convidou-o a passar a noite com a caravana, pois havia muitos ladrões na zona, mas o homem preferiu antes dormir fora do acampamento. Durante a noite os salteadores roubaram-lhe as mulas.

Mal a caravana tinha retomado o caminho na manhã seguinte, surgiu o árabe e precipitando-se para a sela de Bahá'u'lláh agarrou-lhe na orla do manto e implorou a Sua ajuda: ”Quero as minhas mulas de volta” - gritava ele. “Se os grandes tesouros do Sultão fossem roubados neste lugar seria impossível recuperar nem sequer a mais pequena moeda de cobre. Mas estou convencido de que se for Teu desejo farás com que as mulas me sejam devolvidas“.

Ao ver a sua sinceridade, Bahá'u'lláh assegurou-lhe que não sairía dali sem primeiro recuperar as mulas. Bahá'u'lláh mandou baixar as selas e chamar o oficial encarregue de o acompanhar e disse-lhe que as mulas roubadas têm de ser recuperadas.

O oficial mandou chamar o chefe da aldeia que, posto ao corrente da situação, respondeu: ”Apesar deste homem ter sido aconselhado a ficar dentro do círculo das tendas com o resto dos viajantes, porque esta zona está infestada de ladrões, ele não ouviu os avisos, por isso não temos culpa nem somos responsáveis. Há algum tempo roubaram aqui mesmo uma carga inteira de seda, propriedade de Umar Páshá, o governador de Bagdade. Todo um regimento não conseguiu encontrar a carga roubada, como se pode esperar que se encontrem as mulas deste homem?”

Ao ouvir isto a Abençoada Beleza declarou: “As palavras de Umar Páshá tinham uma influência limitada e não podiam sair desses limites, enquanto que a intenção das Minhas palavras é que elas sejam cumpridas. As Minhas ordens não devem ficar sem cumprimento.”

Lamentando a difícil situação novamente o chefe da aldeia se escusou. ”Vai com o chefe para a forte de Márdín” - disse Bahá'u'lláh ao oficial - “que nós seguimos atrás”. Assim, toda a caravana seguiu para Márdín excepto as tendas e provisões da Abençoada Beleza, que foram enviadas à frente para Dyarbakr.

Mesmo às portas de Márdín havia um belo pomar que rodeava uma mansão chamada Paraíso e Bahá'u'lláh escolheu este lugar para assentar o acampamento, nos dias seguintes vieram visitá-Lo todos os notáveis da cidade.

“A razão de estarmos aqui” - explicou Bahá'u'lláh - “é para recuperarmos três mulas roubadas a este homem, tem de se encontrar o que lhe pertence”. Os presentes deram inúmeras desculpas: “Esta zona está infestada de ladrões, é quase impossível reaver coisas roubadas, mas concordamos em pagar o valor das mulas”

“Mesmo que cada um desse cem liras isso não seria aceite” - respondeu Bahá'u'lláh“ - se não puderem agir eu telegrafo às autoridades de Constantinopla pedindo uma solução”

Como Bahá'u'lláh tinha sublinhado tanto a importância de se prenderem os ladrões, as autoridades enviaram cavaleiros em todas as direções. Percorrendo em quatro dias distâncias que normalmente levam oito, os cavaleiros conseguiram encontrar as mulas e devolvê-las ao dono, que as aceitou com gratidão e seguiu o seu caminho.

A Abençoada Beleza distribuiu prendas e palavras de louvor a todos os que tinham estado envolvidos na busca e partiu para Dyarbakr ao terceiro dia.

“Não conhecemos este Personagem” foram os comentários que se espalharam por perto e por longe “nem conseguimos imaginar a força que fez com que Ele recuperasse e devolvesse as mulas ao dono. Foi uma ação acima do poder de chefes e de ministros.

Fonte: Stories of Bahá'u'lláh, 'Alí-Akbar Furútan


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