O servo fiel


Quando ‘Abdu’l-Bahá - o filho de Bahá’u’lláh - era ainda criança, a família, que fazia parte da nobreza da Pérsia, tinha um servo cujo nome era Isfandíyár. Ele era muito leal à família e recebia dela a sua total confiança. Quando as autoridades, por preconceito e ignorância, prenderam Bahá’u’lláh, todos os bens da família foram confiscados. Ficaram sem nada e qualquer um que fosse próximo de Bahá’u’lláh estava em perigo. Mesmo assim, Isfandíyár continuou a cuidar da família. Sabendo que muitos oficiais o estavam a procurar, a esposa de Bahá’u’lláh insistiu para que ele deixasse a cidade. Mas Isfandíyár não foi.

“Não posso ir”- disse ele - explicando que devia dinheiro a muitos lojistas de coisas que ele tinha comprado. “Como posso ir-me embora?” - perguntou ele - “Eles dirão que o servo de Bahá’u’lláh comprou e consumiu mercadorias e suprimentos e não os pagou. A menos que pague todas essas dívidas, não me posso ir embora. Porém, se me levarem, não tem importância. Se me maltratarem, não há mal algum nisso. Se me matarem, não lamentem. Mas ir-me embora é impossível. Preciso ficar até pagar tudo o que devo.”

Durante um mês, Isfandíyár foi às ruas e aos bazares, vendendo pequenas coisas que possuía. Quando pagou a última dívida, ele despediu-se da família, pois sabia que não poderia ficar mais com eles. Um ministro concordou em aceitá-lo, protegê-lo e abrigá-lo durante aquela época perigosa.

Meses depois, Bahá’u’lláh saíu da prisão e, juntamente com a Sua família, foi exilado da Pérsia pelas autoridades. Foram para Bagdade, uma cidade no país vizinho. Isfandíyár sempre fiel a Bahá’u’lláh, viajou para Bagdade para pedir se poderia voltar novamente a servir na Sua casa. Então Bahá’u’lláh disse-lhe: Quando tu nos deixaste um ministro persa ofereceu-te um lugar para ficares, quando ninguém mais poderia proteger-te. Porque ele te deu abrigo e te protegeu, tu deves ser-lhe fiel. Se ele ficar satisfeito por te deixar partir, então podes ficar connosco; mas, se ele não quiser que te venhas embora, não o abandones.”

E, claro, que sendo Isfandíyár tão honrado, tão confiável e leal, o ministro não queria que ele se fosse embora. Ó Isfandíyár! - exclamou ele - não quero que te vás embora, se fores, então que seja por tua própria vontade. Mas Isfandíyár lembrou-se das palavras de Bahá’u’lláh. Por isso, ficou a servir o ministro até que, algum tempo depois, o ministro faleceu e Isfandíyár voltou novamente para a família que ele tanto amava, servindo, então, ‘Abdu’l-Bahá até ao fim da sua vida.

Fonte: Livro 3 do Instituto Ruhi


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